Frei Carlos
Mesters Em Cuba
Leigos e leigas Carmelitas em Cuba
---------Estive
em Cuba do dia 25 a 31 de outubro de 2005. Fui para lá a pedido
das irmãs Carmelitas do Sagrado Coração que têm
três comunidades em Cuba: Habana, San Cristobal e Bahia Honda.
Fui convidado para ajudar no retiro e para visitar as três comunidades.
---------Cheguei
com um atraso de dois dias, porque no domingo, dia 23, o furacão
Wilma obrigou a companhia a cancelar o vôo. No dia 25, 3ª
feira, o furacão não atrapalhou a viagem, mas atrapalhou
a vida do povo cubano. Nunca houve uma inundação tão
grande em Havana. A casa onde ia ser o retiro ficou inundada e, mesmo
com o recuo das águas, não havia eletricidade. Por isso,
na última hora, o retiro foi transferido para San Cristobal,
uma cidade a 85 Km de Havana. Num carro velho, tipo Lada, seis pessoas
lá dentro com todas as malas, fomos para São Cristóvão,
onde chegamos às 18:00 horas. Estrada boa, dupla, asfaltada,
mas pouco movimento e os carros quase todos velhos.
---------São
Cristóvão é um município de mais ou menos
70.000 habitantes. No povoado mesmo moram em torno de 30.000. O resto
vive espalhado pelo campo no interior. Em San Cristobal fiquei hospedado
na casa paroquial. A cidade tem uma só paróquia com
mais de vinte capelas ou comunidades. Dois padres colombianos jovens
de 31 e 29 anos são os vigários. O que chamou minha
atenção são as grades na Casa Paroquial, que
sugerem medo de roubo. Tudo tem grade e chave, trave e bloqueio. O
retiro das irmãs começou na 4ª feira e terminou
no sábado ao meio dia. Foi sobre .Mística e Profecia.
na espiritualidade carmelitana.
---------Às
duas da tarde do sábado, foi marcada uma reunião com
os Carmelitas leigos. Foi a minha grande surpresa! O laicato da Família
Carmelitana é forte e animado em Cuba! Irmã Madalena
que acompanha o grupo medisse que em San Cristobal há mais
de 100 leigos e leigas carmelitas. Eles reúnem uma vez por
semana para rezar juntos, aprofundar a espiritualidade carmelitana
e descobrir os caminhos como servir melhor ao povo do lugar. O mesmo
se diga das outras duas comunidades em Bahia Honda e Havana.
---------Às
duas da tarde, o salão encheu de gente. Acho que eram mais
de setenta. O aviso da reunião foi dado na última hora
e muitos tiveram vir do interior, onde o transporte é muito
precário. Na maioria eram senhoras já de uma certa idade.
Todas elas muito animadas, cantando e rindo, como em tantos outros
lugares da América Latina.
---------Eu
tinha perguntado a um senhor sobre o que eu deveria falar. Ele me
disse para falar sobre a missão do cristão hoje, sobre
a leitura da Bíblia e sobre a espiritualidade do Carmelo. Misturei
os três assuntos, pois os três estão muito ligados
entre si. Contei como as comunidades do Brasil usam a Bíblia,
como os leigos carmelitas no Brasil e nos outros países da
América Latina estão crescendo em número e em
profundidade e expliquei como foi que a Família Carmelitana
nasceu na Palestina 800 anos atrás. Fizeram muitas perguntas.
Gostei do encontro. Foi muito animado.
---------O
povo de San Cristobal tem o costume de fazer alguma arte ou apresentação
teatral quando se realiza um encontro como o nosso. Por isso, no fim,
às 4 da tarde, um grupo de artistas do lugar brindou a todos
nós com um pequeno teatro de uns vinte minutos. Teatro muito
criativo e cômico. Deu para dar muita e muita risada.
---------No
domingo, dia trinta de Outubro, de manhã, saímos às
oito horas da manhã para Bahia Honda a uns trinta quilômetros
de San Cristobal. Tivemos que subir a serra central da ilha e descer
do outro lado até chegar ao mar, onde fica Bahia Honda. Era
um dia de muito frio, de neblina e chuva. No carro começou
uma conversa aberta a respeito da situação política
do país. Quando chegamos em Bahia Honda, deixamos as malas
na casa das irmãs e fomos direto para na Igreja para assistir
à Missa, celebrada por um padre canadense de meia idade. Igreja
grande. Não estava totalmente cheia, mas havia muita gente
na missa. O povo foi chegando aos poucos. A maior parte mulheres,
mas havia também bastante homens e crianças. Depois
da missa, novamente, um breve encontro com a Família Carmelitana.
Em Bahia Honda tem um grupo de em torno de trinta carmelitas leigas
e leigos que reúne regularmente para rezar e aprofundar a espiritualidade
carmelitana.
---------Foi
um breve encontro informal e alegre na própria Igreja, pois
o tempo disponível era pouco. Em Havana, a capital, as irmãs
Carmelitas têm uma pequena comunidade na extrema periferia da
cidade. Também aqui elas estão iniciando a formação
de um grupo de Carmelitas leigos. Perguntei: .Como é que vocês
fazem para conseguir isto?. Disseram que, um ano atrás, fizeram
um convite aberto para formar um grupo de oração e que
até hoje continua reunindo regularmente uma vez por semana.
Nos encontros de oração, as irmãs falam da espiritualidade
carmelitana e da possibilidade de as pessoas se tornarem carmelitas,
integradas na grande família.
---------Assim,
aos poucos, o grupo vai se definindo. Em Havana não tive a
possibilidade de me encontrar com este grupo de leigos. Mas notei,
tanto em San Cristobal como em Bahia Honda, que os leigos se identificam
e se apresentam claramente como Carmelitas. Notícia boa para
nós.
frei Carlos Mesters,
carmelita
cmesters@ocarm.org