O reino de Deus e o poder
político
Fé e política
à luz da experiência atual do poder[1]
Maurício Abdalla
Introdução
---------Uma
das principais características da Igreja Católica no Brasil
nas últimas três décadas foi a reflexão sobre
a política e o incentivo à participação
ativa dos cristãos em movimentos e instituições
que tivessem como foco a ação transformadora da sociedade,
tendo como via a política.
---------Essa
linha de atuação tem como fundamento as Sagradas Escrituras
e documentos da Igreja como os do Concílio Vaticano II e das
conferências episcopais de Medellín e Puebla, reforçados
por documentos locais da CNBB. Esse esforço de concretização
da fé na política traduziu-se em uma participação
decisiva dos cristãos nos movimentos sociais e em partidos políticos.
Não se pode, por inúmeras razões, vincular a militância
católica a um único partido. Apesar disso, é um
fato histórico inegável que uma parte expressiva da vinculação
partidária dos católicos engajados politicamente no Brasil
foi ao Partido dos Trabalhadores. A participação dos cristãos
na formação do PT é reconhecida como uma das forças
decisivas no caráter e desenvolvimento desse partido.
---------Durante
as décadas em que a Igreja refletiu sobre a política criou-se,
de um lado, a indignação com os governos das elites que
se sucediam no poder e, de outro, a esperança de que o processo
histórico levaria a uma conquista do poder pelas forças
populares, com a conseqüente transformação da sociedade.
Concretamente, isso significava uma forte presença profética
de denúncia contra as políticas antipopulares e excludentes
dos governos, que mantinham uma política econômica voltada
para os interesses das elites dominantes nacionais e internacionais.
Pelo lado da esperança, acreditava-se que seria possível
conquistar espaços nos parlamentos e eleger governos locais que
agiriam em favor do povo, até conquistar o governo da República,
momento em que tudo seria transformado e em que as esperanças
seriam concretizadas em uma administração democrática
e popular.
---------Essa
esperança levou a uma participação tão intensa
na política eleitoral que houve uma (equivocada, mas real) identificação
da política com eleição. Cada vez mais, o trabalho
menos imediato com os movimentos sociais foi sendo substituído
por uma participação mais pragmática no processo
eleitoral, seja candidatando-se, envolvendo-se em campanhas, assumindo
mandatos sucessivas vezes ou compondo equipes de governo e assessoria
parlamentar. Essa identificação, embora não sistematizada
no nível teórico ou discursivo, acabou caracterizando
a prática e direcionando os debates sobre a relação
entre fé e política. Claro que existem exceções,
mas não tantas que pudessem impedir a predominância dessa
tendência.
---------A
identificação da política com eleição,
em muitos locais, fez a reflexão sobre fé e política
ficar restrita aos anos eleitorais (sintomaticamente chamados de “ano
político”). Mas esse fenômeno não foi exclusivo
da Igreja. A própria dinâmica dos movimentos sociais foi
atropelada pela ânsia da conquista do poder do Estado, tendo como
esperança uma transformação mais rápida
e efetiva. Criou-se até uma medição de tempo peculiar,
embora estranha à história dos movimentos sociais: as
ações eram pautadas pela sua localização
temporal “pré” ou “pós” eleitoral.
Praticamente nenhuma ação era planejada nos movimentos
sociais e em algumas pastorais nos meses que antecediam ou sucediam
imediatamente as eleições.
---------Pelo
fato da maioria dos militantes dos movimentos sociais (inclusive os
oriundos da Igreja) ter também uma militância partidária,
era difícil não misturar a agenda dos movimentos com a
agenda eleitoral. Com isso, sacrificou-se o trabalho de formação
de novos militantes e abandonou-se a reflexão mais ampla sobre
a política em suas dimensões teórica e prática
mais abrangentes. Inclusive, entre a militância, a fundamentação
teológica para a ação política restringiu-se
(quando muito) às elaborações iniciais da Teologia
da Libertação, mesmo que novas reflexões tenham
sido produzidas dentro mesmo dessa teologia.
---------Encontramo-nos,
contudo, em uma situação que desafia a nossa reflexão.
O esforço de décadas levou ao poder o Partido dos Trabalhadores
e seu principal representante. Pode-se tergiversar à vontade
para não se trazer uma reflexão que pareça partidária
para os assuntos da Igreja, mas a eleição de Lula foi
também a esperança dos milhões de cristãos
engajados na política, desde bispos até leigos. Não
se trata de concordar ou não com isso. O fato histórico
(como fato, simplesmente) está além de nossas opções
ideológicas.
---------No
entanto, nos momentos quase finais do governo, o que mudou no país?
Quais transformações foram produzidas na sociedade que
pudessem justificar a esperança de décadas e a concentração
dos esforços de milhões de pessoas? Como fica o papel
profético de denúncia diante de um governo com o qual
a própria Igreja, indiretamente, teve responsabilidade? Que tipo
de análise devemos fazer do país na atualidade, principalmente
à luz da fé cristã?
---------Embora
sejam questões delicadas, não podemos nos furtar a debatê-las.
É o que pretendo fazer neste artigo, esclarecendo, contudo, que
não pretendo fazer aqui uma avaliação do Governo
Lula. O que pretendo analisar é: diante dos acontecimentos históricos,
o que devemos refletir, como cristãos, sobre a dimensão
política de nossa fé e sobre a conquista do poder? Qual
deve ser a perspectiva do cristão (a partir da prática
de Jesus) frente ao poder e a transformação da sociedade?
---------Após
uma breve análise sobre o que significou o Governo Lula, necessária
como apoio metodológico (momento do “ver”), passarei
a refletir sobre a relação de Jesus com o poder (“julgar”)
e procurarei apontar alguns desafios que, ao meu ver, precisamos incluir
em nossa agenda de atividades (“agir”).
Impacto do Governo
Lula
---------Sem
aprofundar nos fatos e em suas justificativas, partirei da seguinte
constatação: o Governo Lula não representou a mudança
desejada nas relações de poder no Brasil e nem realizou
as transformações necessárias na economia que desse
aos milhões de brasileiros empobrecidos uma melhor condição
de vida e dignidade.
---------A
Reforma Agrária, reivindicação histórica
da sociedade e objeto de apelo até do papa João Paulo
II, não foi realizada e nem se avançou na perspectiva
de sua realização. Os índices de pobreza e desemprego
não sofreram alterações além das oscilações
normais resultantes da dinâmica da própria economia. A
fome, a despeito da prioridade que a ela foi dada, continuou matando
e submetendo ao sofrimento um enorme contingente de pessoas (ver, por
exemplo, o caso dos indígenas no MS, mortos por desnutrição).
---------A
dívida interna continuou a crescer, bloqueando a capacidade de
investimentos sociais do Governo e forçando-o a cortes drásticos
no orçamento para remuneração de títulos
de curto prazo. A política de juros altos, além do impacto
no crescimento da dívida pública, impediu o crescimento
da economia nos níveis esperados, dificultou o crédito
aos pequenos e médios empreendedores e favoreceu aos já
bastante satisfeitos com a economia nos 8 anos de mandato de Fernando
Henrique.
---------As
oligarquias de caráter coronelista não só continuaram
ocupando postos de poder, como entraram no apoio e sustentação
do Governo. Políticos marcados pela raposice tornaram-se governistas
de ocasião. Para manter a equivocadamente chamada “governabilidade”
(eufemismo para o pragmatismo sem princípios), o Governo não
evitou usar acordos fisiológicos, cujo fim a sociedade tanto
esperava. Como resultado, voltaram à cena as denúncias
de corrupção e irregularidades na gestão da coisa
pública, que todos esperavam banidas do Governo Federal.
---------Em
resumo, é difícil ver no atual Governo alguma diferença
substancial com governos anteriores que justifique a esperança
que nele foi depositada (excetuando-se a política externa, única
e marcante diferença). Não estou me referindo à
tradicional esperança que o povo sempre teve em todo novo Governo,
mas à esperança fundamentada, de caráter quase
místico, dos militantes (cristãos ou não) e da
sociedade civil organizada.
---------Diante
deste quadro (bastante resumido, pois não é objetivo deste
artigo fazer análise de conjuntura), vejo desenharem-se algumas
tendências negativas de reação que, para efeitos
de análise, procurei categorizar em quatro tipos: assimilação,
desilusão, suspeita de conspiração e perplexidade.
---------Os
assimilados são aqueles que simplesmente assumiram a defesa incondicional
do Governo e passaram a defender medidas que, quando na oposição,
atacavam com todas as forças. Passaram a justificar as mesmas
coisas que condenavam nos governos anteriores. É como se a disputa
pelo poder fosse apenas uma troca de comando sem necessidade de mudanças
estruturais na política e na economia. Ou como se o Estado tivesse
uma vida própria, imutável, e que a disputa política
fosse apenas para ver quem fica nos cargos de poder, locais a partir
dos quais qualquer atitude será justificada. Tudo é culpa
da “máquina emperrada” – mesmo quando as medidas
são opções de governo e não “da máquina”.
Os assimilados se subordinaram à lógica dominante e passaram
a reproduzir o “pensamento único” da economia. Entraram
na dinâmica tradicional do poder e não representam mais
perspectivas de mudanças sociais.
---------Os
desiludidos são os que depositaram sua esperança em mais
um presidente e foram desapontados. Agora acreditam que ninguém
presta, que todos são iguais e que não adianta agir na
“política” (leia-se “eleições”),
pois as mudanças não são possíveis. Estes,
não acreditando mais na política eleitoral, acabam desacreditando
também em qualquer mudança estrutural da sociedade. Podem
apresentar soluções simplistas como a de “cada um
fazer a sua parte” para amenizar pequenos problemas sociais ou
então se entregar ao fatalismo e deixar de pensar na possibilidade
de transformações. Representam uma grande perda de possíveis
agentes de mudança.
---------Os
que suspeitam de conspiração acreditam que houve alguma
traição por parte daqueles que assumiram o poder. Apregoam
que os principais membros do Governo “se venderam” ao FMI,
aos banqueiros, etc. Esses não desacreditam da via eleitoral
de chegada ao poder, tanto que ou propõem um outro partido ou
depositam suas esperanças em pessoas “mais confiáveis”
que não se deixariam corromper pelo poder e nem trairiam o ideal.
Portanto, o problema para eles são apenas as pessoas –
que não suportaram a sedução do poder – e
não o processo de chegada ao poder. Mantêm a mesma forma
de ação, colocando-se na oposição e esperando
uma nova oportunidade de conquistar o Estado pela via eleitoral.
---------Os
perplexos são todos aqueles que tentam compreender o que aconteceu
e não conseguem uma explicação adequada, tendendo,
muitas vezes, a transitar entre as posições acima, mas
sem muita certeza de nada. Nesses, constatamos a dificuldade em se ter
um posicionamento decisivo frente ao Governo: umas vezes se entregam
ao silêncio, outras tentam pinçar elementos positivos do
Governo para não admitir a frustração, ou ficam
esperando o momento da mudança acontecer.
---------Mas
há também uma tendência positiva, representada por
aqueles que buscam construir um novo sentido para a prática política,
sem negar as contradições da realidade, cair na desilusão
ou repetir as velhas crenças. Neste artigo, pretendo contribuir
com esse tipo de reflexão, dirigido-me especificamente aos cristãos
que não têm dúvidas sobre a necessária vinculação
entre sua fé e a prática política.
A política
de Jesus
---------Não
é possível uma comparação entre o exercício
da política no tempo de Jesus e no nosso atual. A república
e a democracia são experiências gregas e não judaicas.
No entanto, as reflexões decorrentes da prática e da mensagem
de Jesus com relação ao poder de sua época podem
nos trazer bastantes informações para avaliarmos a nossa
prática de hoje.
---------A
Palestina no tempo da ação pública de Jesus tinha
um esquema de governo vinculado à soberania do Império
Romano. A Galiléia estava sob a responsabilidade de Herodes Antipas,
rei local dependente do Império e filho de Herodes, o grande.
A Samaria e a Judéia estavam sob poder de um procurador romano
(no tempo da prisão de Jesus, Pilatos), mas a Judéia era
administrada em seu cotidiano pelo sumo sacerdote e o conselho dos judeus
(o Sinédrio).
---------Tanto
o sumo sacerdote quanto os reis dependentes da família de Herodes
eram indicações de Roma. Não havia a menor possibilidade
de ascensão ao poder a partir de disputas locais. A única
possibilidade de tomá-lo era por guerras contra o poder imperial,
como de fato veio a ocorrer em 66-70 d.C e em 132-135 d.C, resultando
na vitória romana nos dois casos. De outra forma, só restava
a submissão, o isolamento ou a esperança em um messias
apocalíptico que interviria na história a partir da força
divina. Não havia a mínima possibilidade de participação
do povo na constituição do poder como acontece nas modernas
democracias.
---------Sabemos
que Jesus não pregava a submissão. Os evangelhos mostram-no
chamando Herodes de raposa e não se submetendo às suas
intimidações (Lc 13, 31-33); denunciando a dominação
daqueles que davam sustentação ao poder local (saduceus,
fariseus e doutores da lei, muitos dos quais membros do sinédrio;
Mt 23, 13-36; Mc 12, 38-40); protagonizando uma invasão ao Templo,
sede do poder judaico, e polemizando com os chefes dos sacerdotes (Mt
21, 12-17; Mc 11, 15-19; Lc 19, 45-48 e Jo 2, 14-22).
---------Jesus
também não pregou o isolamento, atitude dos essênios,
pois tornou público o seu ministério e conduziu uma multidão
de galileus a Jerusalém. Além disso, não considerou
a proposta de Pedro de se isolarem na montanha no episódio da
transfiguração (Mt 17, 1-8; Mc 9, 2-8) e orou ao Pai dizendo
que não queria “tirar” seus discípulos do
mundo e sim, “enviá-los” ao mundo (Jo 17, 15-19).
---------Ele
tampouco alimentava uma visão apocalíptica messiânica
e isso é manifestado na sua recusa de assumir publicamente o
título de Messias (Mt 16, 20) ou na frase dita por ocasião
de sua prisão: “Ou você pensa que eu não poderia
pedir socorro ao meu Pai? Ele me mandaria logo mais de doze legiões
de anjos” (Mt 26, 53). Suas parábolas sobre o Reino de
Deus indicam um acontecimento histórico e processual e não
uma irrupção a partir da intervenção divina
direta. O Reino é um acontecimento ao mesmo tempo presente e
futuro e não um evento apocalíptico explosivo (sobre isso
ver Horsley, 1995, p. 89-122 e Flusser, 2002, p. 79-86).
---------Mas,
se em relação ao poder Jesus recusava a submissão
aos que o detinham, a fuga a sua influência através do
isolamento e a sua derrubada por intervenção divina direta,
o que dizer da tomada de poder? Estaria Jesus preocupado com a tomada
do poder político ou sua pregação referia-se a
um plano totalmente extramundano? Se concluirmos que a tomada do poder
político é parte integrante da pregação
de Jesus, devemos nos perguntar ainda “de que forma isso deveria
acontecer?”
Jesus e o poder
---------No
contexto de uma sociedade monárquica e de um poder imperial,
a palavra “reino” não se refere a outra coisa que
não a uma determinada forma de organização política
da sociedade. Para nós, habitantes de repúblicas, a palavra
“reino” passou a evocar realidades de contos de fada ou
algo com sentido metafórico. Mas essa não era a perspectiva
israelita.
---------A
palavra “reino”, em qualquer avaliação, é
uma palavra que descreve uma instituição política
de sociedade. Ela é, em sua origem, um termo político,
mesmo se um número de leitores da Bíblia (...) tenha apropriado
o termo metaforicamente. (...) O resultado da carreira de Jesus mostra
que, preferencialmente, sua proclamação a respeito do
reino de Deus foi política, não metafórica e muito
menos “espiritual” (Malina, 2004, p. 11).
---------Portanto,
ao proclamar o Reino de Deus, Jesus estava propondo também (como
condição para um Reino pleno) uma nova estrutura de organização
da sociedade e, para isso, era necessário substituir a estrutura
existente (o reino de Herodes e o reinado dos imperadores romanos) e
estabelecer uma nova. Não é razoável pensar que
isso possa ser feito sem que se “tome”, de alguma forma,
o poder na sociedade. A parábola dos administradores perversos
(Mc 12, 1-12) não deixa dúvidas sobre a necessidade de
destituir o poder dominante e “entregar a vinha a outros”.
Ela é tão clara que os próprios chefes dos sacerdotes
entenderam que a mensagem dirigia-se a eles e à sua estrutura
de poder e, por isso, procuraram matar Jesus. O fato também dessa
parábola ter sido contada no Templo (sede do poder político-religioso
local), indica um claro direcionamento da mensagem ao poder estabelecido.
Portanto, a tomada de poder fazia parte do programa de Jesus. Mas de
que forma?
---------Não
havia, naquele tempo, a possibilidade de uma tomada de poder pela via
eleitoral. Ou era uma tomada violenta ou não acontecia. Isso
poderia inviabilizar uma reflexão que lançasse luz à
nossa situação atual. No entanto, se fizermos uma pequena
abstração, sem forçar os conceitos, podemos fazer
uma analogia entre a tomada de poder apenas pela eleição
e a sua conquista pela força: ambas as formas possuem a característica
de ser uma tomada brusca do poder que substitui repentinamente os ocupantes
da máquina estatal. Se, por um lado, elas se diferem no método
(uma é pelas armas e outra pelas urnas), por outro, elas têm
em comum a característica de ser uma troca repentina dos ocupantes
do poder estatal.
---------Será,
então, importante ver como Jesus avaliava a tomada repentina
e violenta de poder para, guardadas as devidas proporções,
perguntarmo-nos sobre a tomada de poder através das eleições.
---------Em
outro momento da história (século II a.C.), que certamente
ainda estava bastante presente na memória coletiva dos israelitas
da época de Jesus, ocorreu uma grande revolta na Judéia.
Ela foi liderada inicialmente por Matatias e depois conduzida por seu
filho Judas, apelidado Macabeu (o martelo), e seus irmãos. A
pressão do rei selêucida Antíoco IV para que toda
a Judéia se adaptasse à religião, às leis
e aos costumes gregos e a subserviência da elite política
judaica ao domínio estrangeiro (2Mc 4, 7-17) gerou uma grande
insatisfação entre o povo. A vitória da Guerra
dos Macabeus contra o Império Helenístico dos selêucidas
e contra seus representantes judeus (os sumos sacerdotes Jasão
e Menelau e a elite judaica) conseguiu estabelecer um governo autônomo
na Judéia a partir da tomada do poder local. A dinastia que se
iniciou com a tomada do poder pelos macabeus ficou conhecida como “asmonéia”
(de Asmon, ancestral dos irmãos macabeus) e seus reis sumo sacerdotes
como os reis “asmoneus”.
---------Mas
em que resultou esta tomada de poder? Após a morte de Judas,
seu irmão Jônatas assumiu a liderança da revolta
e, após a vitória, empossou-se no cargo de sumo sacerdote.
Seu irmão, Simão, substituiu-o após a sua morte
e além de concentrar poderes em suas mãos, passou o cargo
de sumo sacerdote a seu filho João Hircano, dando início
à dinastia asmonéia.
---------O
que tinha começado como uma revolta de camponeses judeus, uma
guerra de guerrilha contra os exércitos Selêucidas, terminou
não com a implantação do Reino de Deus, mas simplesmente
no estabelecimento de uma nova dinastia de sumos sacerdotes (Horsley,
1995, p.37).
---------Surpreendentemente,
os reis asmoneus a partir de João Hircano e seu filho Alexandre
Janeu fizeram acordos com impérios vizinhos, traíram os
ideais da revolta macabaica, empenharam-se em um processo de helenização
da sociedade judaica (justamente o motivo que fomentou a revolta do
povo judeu), conquistaram violentamente povos vizinhos, destruíram
o templo dos samaritanos sobre o monte Garizim e impuseram às
populações dominadas a circuncisão e a forma de
religião da Judéia, que não era a mesma entre israelitas
de outras regiões, como a Galiléia (para maiores aprofundamentos
ver Gottwald, 1988, p. 415-426 e Horsley, 1995, p. 28-43).
---------Isso
certamente foi um motivo de grande frustração e decepção
por parte daqueles que combateram na esperança da criação
de um reino governado por Deus. Os que viam na sua luta pela tomada
de poder a oportunidade de viver de acordo com a lei de Moisés
e com sua tradição, viram seus sonhos destruídos
com o estabelecimento de um governo que em nada se diferenciou das dinastias
anteriores e nem dos governantes dos impérios pagãos.
---------A
insatisfação e decepção dos judeus com o
governo dos asmoneus deram origem ao partido dos fariseus e aos essênios.
Os benefícios proporcionados pela dinastia asmonéia a
um grupo específico da população judaica criaram
o partido dos saduceus entre os grandes proprietários de terra
e a elite que orbitava a corte real e sumo sacerdotal. Isso significa
que a configuração da política no tempo de Jesus
estava diretamente ligada com a experiência da tomada de poder
a partir da rebelião macabaica e com a traição
dos ideais revolucionários por parte dos reis-sumos sacerdotes
asmoneus. A dinastia asmonéia só se encerrou em 63 a.C,
com a conquista romana da Palestina e com a perda da independência
para o Império Romano.
---------Jesus
e seus contemporâneos experimentavam novamente o domínio
direto de uma nação estrangeira. Localmente, o domínio
do território do antigo reino de Israel estava dividido entre
Herodes Antipas (Galiléia e Peréia) e Pilatos (Judéia
e Samaria). Como não havia separação entre religião
e política, os assuntos cotidianos da administração
da Judéia eram decididos pelos conselheiros do Templo, chefiados
pelo sumo sacerdote judeu indicado por Roma. Mas a autoridade do Templo
se estendia a questões respeitantes à lei judaica mesmo
para os judeus que viviam fora do território da Judéia.
---------O
Sinédrio era composto por saduceus, doutores da lei, uma elite
sacerdotal e alguns fariseus. Estes últimos, embora tenham tido
uma atitude hostil com relação ao domínio asmoneu,
passaram, em sua maioria, a dar apoio e sustentação à
elite judaica e a orbitar o Templo. Este parece ter sido um outro caso
exemplar de traição de princípios e não
de adesão a uma doutrina equivocada. Nas palavras de Jesus, os
fariseus partilhavam da “boa” doutrina. “Os doutores
da Lei e os fariseus têm autoridade para interpretar a Lei de
Moisés. Por isso, vocês devem fazer e observar tudo o que
eles dizem. Mas não imitem suas ações, pois eles
falam e não praticam” (Mt 23, 1-3). A traição
ocorreu porque os fariseus se tornaram “amigos do dinheiro”
e contribuíram com a “exploração do órfão
e da viúva” (Lc 16, 4; Mt 23, 13-36). Mas esta sentença
não pode ser generalizada, dado que muitos movimentos de resistência
na Palestina foram liderados por fariseus; o problema parecia estar
no rumo que seu partido havia tomado.
---------Uma
situação insustentável de miséria se impôs
sobre a Palestina. Os altos impostos pagos a Roma se somavam à
tributação exagerada de Antipas aos galileus e ao imposto
do Templo de Jerusalém. Isso contribuiu com o enriquecimento
excessivo de membros da elite judaica que, a partir de dívidas
contraídas por camponeses em dificuldade, passaram a juntar grandes
propriedades de terra. O controle do Templo também rendia grandes
somas aos sumos sacerdotes e aos membros do Sinédrio.
---------Quanto
mais pobre, mais se sofria com a exploração e a pesada
carga de impostos. Jesus faz essa observação a respeito
da viúva pobre que teve que depositar no tesouro do Templo tudo
que tinha para viver, enquanto os ricos pagavam o que lhes sobrava (Mc
12, 38 – 13, 2; Lc 20, 45 – 21, 7; notem que nestas passagens
Jesus denuncia os membros do Sinédrio antes e profere uma sentença
contra o Templo depois de constatar o episódio da viúva
pobre – a leitura deve ser feita ignorando a divisão dos
capítulos).
---------Nesse
cenário, como ficava a esperança no Reino de Deus, promessa
feita através dos profetas e esperada principalmente pelos pobres
e pelos camponeses destituídos de suas terras e de suas rendas?
---------Alguns
grupos acreditavam ser possível vencer a dominação
estrangeira pela força, a partir de guerras localizadas contra
os poderes locais, como fizeram os macabeus. Todas essas tentativas,
contudo, eram massacradas pelo poder romano ou pelas forças locais
de Herodes, e seus líderes eram mortos, muitas vezes por crucificação
(para conhecer essas experiências, ver o estudo de Horsley, 1995,
sobre os movimentos populares no tempo de Jesus).
---------Jesus
não parecia nutrir simpatia pela tomada do poder como um momento
explosivo de uma revolta armada e nem pretendia ser empossado como rei
davídico. Isso provavelmente não era decorrência
de uma pregação de não violência incondicional.
É evidente que uma pregação centrada no amor rejeita
veementemente a violência. Mas isso é parte de um projeto
e não uma condenação ingênua a qualquer forma
de violência.
---------É
mais razoável pensar que a rejeição a uma estratégia
de tomada explosiva de poder era decorrente de uma reflexão acerca
da eficácia desse tipo de atitude dentro do projeto mais amplo
de construção do Reino de Deus. Ou seja, além das
forças romanas serem maiores – o que levaria ao massacre
de qualquer levante –, o Reino exigia muito mais do que simplesmente
trocar o governo.
---------Em
Lc 13, 1-5, Jesus é informado sobre o massacre de galileus por
Pilatos. A ação direta do governo romano só recaía
sobre rebeldes que representavam uma ameaça, mesmo que pequena,
aos interesses do Império. Crimes comuns eram punidos pelas instâncias
das administrações locais (recorde-se que Pilatos sugeriu
aos sacerdotes que julgassem Jesus de acordo com suas leis, pois não
o via como uma ameaça direta a Roma). Certamente, tais galileus
faziam parte dos inúmeros grupos de rebeldes que agiam naquele
tempo, senão não sofreriam a pena de Pilatos.
---------Nessa
passagem, Jesus diz a seus discípulos que se eles não
mudassem sua forma de ver as coisas (não fizessem uma “transição
de pensamento”; no grego metanóia, traduzido como “conversão”,
mas com sentido mais profundo do que aquele que tem essa palavra hoje)
eles iriam morrer do mesmo jeito. “Todos que usam a espada, pela
espada morrerão” (Mt 26, 52). Portanto, deveria haver outra
forma de ação com relação ao poder que não
fosse a ação direta contra ele ou sua conquista explosiva.
Era necessário pensar de forma substancialmente diferente (essa
é a forma mais adequada de se entender o significado da palavra
metanóia).
---------O
Reino, para Jesus, não viria de forma explosiva e de uma só
vez. As parábolas sobre o Reino (Mt 13 e Mc 4) o revelam como
processo e não como um acontecimento pontual. “O Reino
de Deus não vem ostensivamente. Nem se poderá dizer: ‘Está
aqui’ ou: ‘está ali’, porque o Reino de Deus
está no meio de vocês” (Lc 17, 20-21).
---------Por
isso, de nada adiantaria tentar criar um reino apenas a partir da destituição
dos que ocupavam o Templo. Isso poderia repetir a história dos
macabeus e seria colocar remendo novo em panos velhos (Mt 9, 16s; Mc
2, 21s). Era preciso renovar o pano e não apenas remendá-lo.
O projeto de Jesus, portanto, pregava a tomada gradativa e histórica
do poder e não a sua tomada de assalto. Na verdade, trata-se
de um projeto de construção de uma nova ordem e não
de sua imposição a partir do controle do aparato religioso-estatal.
Jesus não queria ser rei (Jo 6, 15); seu projeto era muito mais
amplo e apontava para um tempo que não poderia sequer ser previsto
(At 1, 7-8).
---------Trilhar
o caminho para esse Reino era também construí-lo. Ele
seria resultado de uma semeadura ou de uma fermentação.
A sociedade tem que ser mudada por dentro, a partir de suas relações
(econômicas, sociais e políticas) e de seu pensamento (a
racionalidade a partir da qual se interpreta o mundo).
---------O
Reino exige a mudança de relações econômicas
na sociedade. É preciso praticar uma nova economia, diferente
da economia que gera divisão. Por isso, Jesus pregava o perdão
das dívidas e a prática de empréstimos e doações
desinteressadas, em um ambiente em que se enriquecia pela cobrança
das dívidas (“Dê a quem lhe pedir, e não vire
as costas a quem lhe pedir emprestado”; “emprestem sem esperar
coisa alguma em troca”; “perdoa as nossas dívidas
como nós perdoamos aos nossos devedores”). Por isso ele
exigia do rico “vender tudo e dar aos pobres”, não
como caridade, mas como redistribuição da riqueza em nome
da justiça que o Reino exige. E por isso, enfim, que os primeiros
cristãos aboliram a propriedade privada em suas comunidades (At
2, 44-45; At 4, 32-35).
---------O
Reino exige também uma nova relação social. Os
pobres passam a ocupar o centro, ao contrário da sociedade existente.
Eles são os preferidos de Deus e os primeiros no seu Reino (Mt
5, 1; Lc 6, 20-21). Os rejeitados (“os pobres, os aleijados, os
cegos e os mancos”) são os que participarão da festa
do Reino (Lc 14, 15-24). Os últimos serão os primeiros
e os que se “vestem com roupas finas e vivem no luxo” (Lc
7, 25) e são a elite da sociedade serão “derrubados
dos tronos” e “despedidos sem nada”.
---------A
exigência é também de uma nova relação
de poder (política) entre as pessoas. Jesus lavou os pés
dos discípulos, mostrando que poder é serviço e
quem quer ser o maior, deve ser o principal servidor. Quando Tiago e
João pretenderam se beneficiar de posições de poder,
pedindo um lugar a direita e outro à esquerda do trono de Jesus
(os “cargos” mais importantes), eles tiveram como resposta:
“Vocês sabem: os governadores das nações têm
poder sobre elas, e os grandes têm autoridade sobre elas. Entre
vocês não deverá ser assim: quem de vocês
quiser ser grande, deve tornar-se o servidor de vocês; e quem
de vocês quiser ser o primeiro, deverá tornar-se servo
de vocês (Mt 20, 24-27). É uma total inversão dos
desejos de poder que prevaleciam na sociedade antiga, mas também
na nossa atual (a disputa por cargos e posições privilegiadas
mesmo nos governos de esquerda pode ser lembrada facilmente aqui).
---------Além
de uma transformação das relações humanas
na sociedade, o Reino exige também a mudança de pensamento.
É preciso tomar cuidado com o “fermento dos fariseus, [dos
saduceus] e de Herodes” (Mc 8, 14-21; Lc 12, 1). O fermento dos
fariseus, saduceus e Herodes leva à concentração
de riqueza e à negação do alimento ao povo. O fermento
novo, conforme nos esclarece o texto do evangelho, está relacionado
à distribuição de pães para milhares de
pessoas, sobrando vários cestos. A racionalidade dominante na
época (o fermento dos fariseus, saduceus e de Herodes) levava
à concentração de riqueza e à divisão
social. Uma nova racionalidade (o fermento do Reino) levaria à
partilha e à cooperação entre a população
(ver como as partilhas dos pães e dos peixes, às quais
Jesus se refere nas passagens acima, foi efetuada em Mc 6, 30-44; 8,
1-9).
---------O
Reino de Deus seria resultado de toda esta transformação
da sociedade. Isso seria “renovar o pano”. A tomada de poder
(instalação de um novo Reino, que exige uma nova ordem
econômica e política) será o resultado desta transformação.
Concentrar as forças na ocupação do aparelho político
acreditando que estas transformações serão automáticas
ou conseqüências de novas configurações de
governo não era a estratégia de Jesus – e não
deveria ser, portanto, a estratégia dos cristãos.
Pistas para a
relação fé e política
---------Como
vimos na introdução deste artigo, a redução
da política às eleições não foi uma
elaboração estratégica teórica, mas uma
prática real entre aqueles que queriam construir uma nova sociedade.
Para grande parte dos militantes, inclusive os cristãos, a tomada
de poder pelas eleições se sobrepôs à construção
gradativa e histórica de uma alternativa. Os resultados não
parecem ter sido muito satisfatórios e lembram um pouco a história
dos macabeus e o destino do partido dos fariseus.
---------Mas
isso não foi sempre assim e nem significa que todos passaram
a agir dessa forma. Na verdade, foi a partir de uma compreensão
mais ampla do conteúdo político do Reino que muitos colocaram
a tomada do poder institucional como um meio e não um fim, o
que justificou durante muitos anos a preocupação com o
caráter educativo das campanhas eleitorais e a existência
de um trabalho intenso de mobilização social. Ganhar eleições
não era a única meta. Muitos, hoje, ainda mantêm
essa perspectiva. Mas, infelizmente, a balança acabou pendendo
mais para a tomada explosiva do poder pelas eleições.
---------Por
vários motivos (entre os quais é preciso destacar nossas
deficiências no trabalho formativo), o que era meio tornou-se
fim. Fé e política passou a significar “fé
e eleição”. Por isso é preciso refundar a
utopia cristã da construção gradual do Reino, a
partir da qual toda ação concreta passa a ser vista como
mediação para um projeto mais amplo. A decepção
com algumas experiências de tomada de poder pelas eleições
é fruto de uma concepção equivocada do processo
de transformação social.
---------Isso
não significa que a participação nas eleições
seja um equívoco. É preciso deixar bem claro que a possibilidade
que a democracia nos proporciona de ocupar espaços no poder estatal
(executivo e legislativo) é um elemento da nossa realidade que
precisa ser aproveitado. Não havia nada semelhante no tempo de
Jesus, por isso temos que construir a nossa própria reflexão
de como agir neste espaço eleitoral e de exercício de
mandatos. A questão discutida aqui é o papel que isso
cumpre na construção do Reino.
---------Como
conclusão, gostaria de sugerir algumas frentes possíveis
de ação pastoral que, em minha opinião, contribuiriam
para um resgate adequado das dimensões políticas da nossa
fé.
1) Em primeiro lugar,
creio que seja necessário intensificar o trabalho de formação
contínua e sistemática. Mesmo que o tema “formação”
esteja sempre como prioridade, muitas vezes ela acaba se resumindo a
atividades pontuais e sem continuidade. As agendas de formação
estão quase todas preenchidas com palestras ou atividades isoladas
de fim de semana. É preciso investir em formação
contínua, com grupos fixos de participantes em um tempo mais
estendido. Só assim será possível a reflexão
sobre temas mais amplos como Bíblia, sociedade, economia, história,
etc., de onde se poderá entender a estratégia de ação
cristã.
2) O tema “fé
e política” deve ser colocado em pauta todo o tempo e não
apenas em anos eleitorais. É preciso criar atividades constantes
que estabeleçam essa relação, a fim de evitar a
redução da política às eleições.
3) O tema “fé
e política” ou “fé e transformação
social” deveria ser colocado como tema transversal. Um tema transversal
é aquele que perpassa todas as atividades das pastorais e não
se restringe a um momento específico de reflexão. As implicações
políticas de nossa fé não deveria ser um tema restrito
de um grupo específico, como se fosse um dos carismas ao qual
apenas alguns se dedicam. Nada impede que um grupo priorize essa reflexão
para servir aos outros, mas essa não pode ser uma atividade “opcional”
dentre outras, dado que é um tema essencial dos evangelhos.
4) É também
necessário voltar a conhecer e participar das diversas formas
de ação política na sociedade que não sejam
eleitorais, como se fazia antes. Percebe-se, hoje em dia, que muitos
cristãos engajados em pastorais sociais e nas CEB’s têm
militância exclusiva na Igreja. Fala-se muito mais em “apoio”
aos movimentos sociais do que em “participação”
nos mesmos. Os movimentos sociais não podem ser compreendidos
como uma terceira pessoa que se relaciona com a comunidade eclesial.
Deve-se pensar novamente no “protagonismo” dos cristãos
nas organizações da sociedade civil.
5) Também na perspectiva
de uma transformação econômica histórica,
é necessário valorizar as experiências da nova economia
popular, conhecidas como economia solidária, e todas as práticas
econômicas de cooperação. Diversos grupos na Igreja
já estão fazendo isso, mas é preciso também
dar um caráter político a elas, para que se perceba o
seu papel como possível gestora de uma nova sociedade e não
apenas como alternativa de vida “dentro da ordem” (ver Abdalla,
2002).
6) Aos cristãos
que buscam ocupar espaços no poder estatal, seria interessante
refletir sobre os limites e as possibilidades de sua campanha e de seu
mandato dentro do projeto do Reino, para evitar que o mandato cristão
se caracterize apenas por ser um mandato “mais honesto”
ou limitado às questões morais da doutrina católica.
Qual a contribuição maior do exercício do poder
para a “tomada” de poder na perspectiva do Reino de Deus?
------------------Essas
são apenas sugestões. O desafio é muito maior do
que elas. Mas a comunidade dos cristãos pode se organizar de
forma a ser maior que os desafios e descobrir a melhor forma de ação
frente aos desafios da realidade atual.
Bibilografia
ABDALLA, Maurício.
O princípio da cooperação: em busca de uma nova
racionalidade. São Paulo: Paulus, 2002.
FLUSSER, David. Jesus.
São Paulo: Perspectiva, 2002.
GOTTWALD, Norman K. Introdução
socioliterária à Bíblia hebraica. São Paulo:
Paulus, 1988.
HORSLEY, Richard A. Bandidos,
profetas e messias: movimentos populares no tempo de Jesus. São
Paulo: Paulus, 1995.
––––.
Arqueologia, história e sociedade na Galiléia: O contexto
social de Jesus e dos rabis. São Paulo: Paulus, 2000.
––––.
Jesus e o império: o reino de Deus e a nova desordem mundial.
São Paulo: Paulus, 2004.
MALINA, Bruce J. O evangelho
social de Jesus: o reino de Deus em perspectiva mediterrânea.
São Paulo: Paulus, 2004.
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[1] Artigo publicado na
Revista VIDA PASTORAL, jan-fev 2006, pp. 3-11.